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Brasil testa 'laboratório espacial' que vai a 100 km de altitude e volta à Terra de paraquedas
05/09/2026
A operação acontece até 19 de setembro no Centro de Lançamento Barreira do Inferno, no RN. Se modelo funcionar vai conferir mais autonomia à produção científica brasileira nas pesquisas com microgravidade.” – Por Leonardo Erys. Fonte G1 RN.
Agricultura espacial
Pesquisador de agricultura espacial, o professor universitário Paulo Hercílio Viegas Rodrigues, do Departamento de Produção Vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), diz que um dos experimentos enviados é composto por um Cubesat 1U – um minissatélite – com microrganismos liofilizados e biodosímetros de radiação.
Os microrganismos liofilizados são fungos ou bactérias que passaram por um processo de desidratação a frio para resistirem à viagem sem estragar. Já os biodosímetros são pequenos sensores que medem a quantidade de radiação que o experimento recebeu durante o voo.
O objetivo, segundo o professor Paulo Hercílio, é entender como esses microrganismos resistem às condições extremas de uma missão espacial e se conseguem manter a viabilidade após o voo.
“Recuperar a carga útil após o lançamento será fundamental para o sucesso da missão como um todo. Na área agrícola, poderemos nos beneficiar em experimentos relacionados ao melhoramento genético, induzindo mutações em diferentes tipos de explantes e microrganismos, além do desenvolvimento de equipamentos para o cultivo de plântulas em órbita baixa”, explicou.
Segundo o professor, esse experimento vai manter um minissatélite de controle com os mesmos microrganismos e sensores na Terra. “Após a recuperação do Cubesat que irá para o espaço, serão realizadas as análises comparativas”, disse.
Enquanto os experimentos são gerados, em Terra o pesquisador e equipe vão gerar microgravidade – em processo chamado de clinorotação – em um clinostato no Laboratório de Microgravidade de Plantas da ESALQ-USP. (veja equipamento que simula microgravidade abaixo)
“Desse modo, poderemos comparar os efeitos gerados nos microrganismos em um lançamento real e em um ambiente de microgravidade gerada por clinorotação”, afirmou.
Atualmente, testesespaciais desse tipo são realizados em estações como a Estação Espacial Internacional ou a chinesa Tiangong, com acesso e custo restritivos, pontuou o professor.
Ele reforça que a agricultura espacial é importante para o Brasil porque impulsiona o desenvolvimento de tecnologias agrícolas de ponta, já que o Brasil contribui com os Acordos Artemis da NASA, levando a excelência nacional em agronomia para o suporte de missões de longa duração na Lua e em Marte.
“Esse tipo de estudo é importante porque, no futuro, microrganismos poderão ser aliados fundamentais em missões espaciais de longa duração, contribuindo, por exemplo, para o cultivo de plantas, a ciclagem de nutrientes, a produção de alimentos e o desenvolvimento de sistemas biológicos mais sustentáveis fora da Terra”, defendeu o professor.
O laboratório da Esalq atualmente trabalha desenvolvendo equipamentos e acessórios destinados ao estudo do efeito da microgravidade, no espaço, e da gravidade relativa, em Marte e na Lua. “A criação desses equipamentos será fundamental para o estudo do comportamento de plantas de interesse a serem cultivadas nesses ambientes fora da Terra”, argumentou.
